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terça-feira, 10 de abril de 2012

vicío

Há um vicio que se apodera de mim, uma luz que se acende, algumas palavras caladas apregoam silêncios mais ou menos intensos.
Ausências pintadas a frio, uma bolha no ar e o caminho para o norte fica cada vez mais distante.
A culpa morre solteira, não devia, contudo nada se diz, nada se confirma.
Fico à espera que nada aconteça, chega a noite, pode ser que as palavras cheguem.
Pode ser que chegue a saudade, a ternura, o riso, tenho que esperar o desenrolar da verdade.
Mais cedo ou mais tarde tudo ficará claro.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

mais um ano

Os sentidos e o tempo não enganam, estou a ficar mais velha, mais linda e arrojada. Doida por fora mas por dentro as alfaces continuam verdes e as maçãs não caem da macieira. A minha doidice está cada vez mais liberta, os outros cada vez mais sérios, sim estou cheia de lindas palavras, onde a verdade circula de mãos dadas com a tranquilidade.
Hoje, quase mais uma vela se calará no meio da multidão de velas apagadas pela vontade de amar, de ter tempo para navegar nas nuvens do contentamento.
Hoje, outro galo cantará aflito na caminhada para a vida, pois a morte estará muito além, ocupada com outros afazeres e eu não tenho tempo para pensar nela. A vida sim, essa deixa-me extasiada, sem fôlego para ver os tempos que criei, quase só é certo, mas são bons frutos que deixarei quando o sorriso se apagar.
Não vou, já disse que não vou falar de coisas que não estão por aqui, só das verdades dos anos que passam e largam pó na minha essência e hoje quase mais um para carregar a vida.
Mais uma verdade, mais do que um azar bateu na porta do quarteto, mas os sorrisos levaram a melhor, não estou parada, nem de mal com a tristeza, sempre pensei que podia ter sido melhor, com mais afinco tinha sido tudo tão diferente, tão mais doce, tão mais terno que até dói de pensar.
Enfim, mais um ano quase se completa e eu espero o novo ,com tenacidade, apesar da cama desfeita , da porta fechada, da vontade esquecida, mas a janela está aberta para mais tempo, para mais verdade e os silêncios serão memórias bem alegres.

sábado, 6 de agosto de 2011

Saudade

Hoje apetece-me dar a volta ao tempo, seguir em frente de mãos dadas com a saudade.
Talvez seja isso que me leva o sorriso até ti, não sei.
Gostava de parir palavras nuas, carregadas de beijos e guardar no teu regaço poemas.
O sonho, esse teima em adiar-se, não tens tempo, nunca tens tempo para acabar o amor que alinhavas de tempos a tempos.
Perco-me nas linhas que traças, na chuva que cai. O destino acaba na esperança, que nunca chega.
É tarde e o silêncio fica parado à espera que nada aconteça. Preocupa-me a certeza de que tudo passa, até esta loucura.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Deixa-me falar-te de amor

Deixa-me falar-te de amor...

Do cheiro que exalas

Do rasto perdido

Deixa-me falar-te do silêncio

Do grito

Das noites de insónia

Deixa-me dizer-te do mar,

De um poema de amor

De um tempo esquecido

Dos olhos fechados

E serena

Aconchegar-te num beijo

Tecido de sonhos!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não vás embora

Não vás embora agora...

queria dizer-te do sexo

da vontade

do cheiro

do gosto

da palavra tesa como um pénis

de como imagino a tua boca na espera

queria dizer-te do beijo pelo corpo todo

das mãos sobre o peito

do abraço apertado

queria estar contigo quente como uma vagina que

acabou de gozar

queria que a tua língua não tivesse preconceitos

me sugasse o ventre

queria amar-te com as letras todas desordenadas

castelo de cartas

dominó em cascata

e namorar contigo num beijo infantil

tão absurdo como haver noite a seguir ao dia

e dizer-te por um beijo tudo aquilo que me oprime.


Carolina

deseja-me...

deseja-me …

uma boa noite

já que vou dormir mais uma vez

acompanhada dos meus fantasmas

e dos sonhos que invento

pela tua ausência...

faz-me sentir que estás aqui,

sinto a tua mão num afago

a beijar - me.

gosto

da forma como me seguras

como me agarras

como me libertas...

amo-te!

domingo, 13 de junho de 2010

um amor

Vivo um tempo de espera que me desespera o sorriso

Pelo caminho encontro silêncios de vontades

Promíscuas as palavras encetam fugas para o abismo

Onde rastejam araras palradoras e sem sentir

Tentando golpear malabarismos deprimentes

Está na hora da festa acabar apesar de risos

Saem profícuas sentinelas das cavernas fundas

Astutas na memória esquecida

Fosco é o brilho deste amor que vivo

Primaveras sem fim que provocam desejos

Num imenso raiar da volúpia incontida

Decepada pelo desprezo da presença atempada.