Páginas

sábado, 6 de agosto de 2011

Saudade

Hoje apetece-me dar a volta ao tempo, seguir em frente de mãos dadas com a saudade.
Talvez seja isso que me leva o sorriso até ti, não sei.
Gostava de parir palavras nuas, carregadas de beijos e guardar no teu regaço poemas.
O sonho, esse teima em adiar-se, não tens tempo, nunca tens tempo para acabar o amor que alinhavas de tempos a tempos.
Perco-me nas linhas que traças, na chuva que cai. O destino acaba na esperança, que nunca chega.
É tarde e o silêncio fica parado à espera que nada aconteça. Preocupa-me a certeza de que tudo passa, até esta loucura.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Deixa-me falar-te de amor

Deixa-me falar-te de amor...

Do cheiro que exalas

Do rasto perdido

Deixa-me falar-te do silêncio

Do grito

Das noites de insónia

Deixa-me dizer-te do mar,

De um poema de amor

De um tempo esquecido

Dos olhos fechados

E serena

Aconchegar-te num beijo

Tecido de sonhos!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não vás embora

Não vás embora agora...

queria dizer-te do sexo

da vontade

do cheiro

do gosto

da palavra tesa como um pénis

de como imagino a tua boca na espera

queria dizer-te do beijo pelo corpo todo

das mãos sobre o peito

do abraço apertado

queria estar contigo quente como uma vagina que

acabou de gozar

queria que a tua língua não tivesse preconceitos

me sugasse o ventre

queria amar-te com as letras todas desordenadas

castelo de cartas

dominó em cascata

e namorar contigo num beijo infantil

tão absurdo como haver noite a seguir ao dia

e dizer-te por um beijo tudo aquilo que me oprime.


Carolina

deseja-me...

deseja-me …

uma boa noite

já que vou dormir mais uma vez

acompanhada dos meus fantasmas

e dos sonhos que invento

pela tua ausência...

faz-me sentir que estás aqui,

sinto a tua mão num afago

a beijar - me.

gosto

da forma como me seguras

como me agarras

como me libertas...

amo-te!

domingo, 13 de junho de 2010

um amor

Vivo um tempo de espera que me desespera o sorriso

Pelo caminho encontro silêncios de vontades

Promíscuas as palavras encetam fugas para o abismo

Onde rastejam araras palradoras e sem sentir

Tentando golpear malabarismos deprimentes

Está na hora da festa acabar apesar de risos

Saem profícuas sentinelas das cavernas fundas

Astutas na memória esquecida

Fosco é o brilho deste amor que vivo

Primaveras sem fim que provocam desejos

Num imenso raiar da volúpia incontida

Decepada pelo desprezo da presença atempada.

O abismo

Eu sei que por vezes sou o frio de braços abertos para a vontade de acontecer.
De vez em quando, caminho na noite solitária, acompanhada de coisa alguma. Talvez por isso aqueça os pés no teu regaço.

Sei que o futuro se prepara no presente guardado a sete chaves e mais uma, para a questão. Embora cansada, vejo necessidade de sorrir e de comer tolerância ao jantar. Não são muitos os anos e as desculpas custam a pedir, mas mesmo rindo, marquei pontos na tristeza.

Ontem, vi um alguidar cheio de fruta e logo pensei na vitória dos meninos a cantar os reis para uma plateia trombuda, mas necessária ao nosso bem estar.

Amanhã, caminharei de saltos altos para o abismo, espero sair dele com vida, apesar da tolerância a rondar o zero, entre as partes.

incerteza

Talvez sejam os ponteiros do tempo que caem como pingos de água cristalina e nos leva à loucura.
Talvez seja a vontade inequívoca do eco de um beijo, molhado pela incerteza.
Talvez, não sei, mas vivemos ternuras encantadas pelo sonho livre de um momento.
Desse encantamento segue-se o vazio que nos fere o sentir.
Então, caímos no abismo em bicos de pés, saltitando de palavra em palavra, onde a saudade soterrada no nosso contentamento chega à noite, calada por um silêncio profundo.